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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Rico não precisa de air-bag

Levantando dados para uma matéria sobre ABS e airbag, entrevistei um soldado do Corpo de Bombeiros do quartel de Atibaia (SP). Foi um papo informal e descontraído sobre esses equipamentos e a capacidade de salvar vidas. Ele elogiou os sistemas ABS (anti-travamento dos freios) e airbag (bolsa de ar que protege em caso de colisões). “Quando chegamos ao local do acidente e vemos que a bolsa do airbag inflou, ficamos mais tranqüilos pois os ferimentos em geral são menores. Mas rico não precisa de airbag.” Como assim?
Antes de conhecer essa misteriosa lógica do bombeiro, acostumado a fazer resgate de acidentados na Rodovia Fernão Dias, percorri diversas concessionárias de automóveis da região. Minha missão era questionar os vendedores sobre a procura dos equipamentos pelos compradores. Ouvi muita coisa estranha “o comprador nem pergunta sobre ABS ou airbag, ele quer vidro elétrico, ar-condicionado e sistema de som”. “Alguns alegam que ABS só é útil para quem viaja muito e airbag é perigoso e pode até matar a pessoa em alguns casos”.
Fiquei pasmo pela falta de informação dos consumidores. Não bastasse a falta de conhecimento dos motoristas sobre os equipamentos, os vendedores, hoje intitulados consultores de vendas, também não se interessam (ou tem condições) de oferecê-los. “Vendemos o carro que está no pátio. Sabe quanto tempo demora para chegar um Uno com ABS? Pelo menos dois meses, se falar isso para o cliente perco a venda” argumentou um consultor de vendas da Fiat.
Como você deve ter percebido sistemas de segurança não despertam o interesse dos compradores, vendedores e também fabricantes, principalmente entre os carros populares. Voltando ao “causo” bombeiro, como ele justificou sua frase “rico não precisa de airbag”? Acostumado a salvar vidas e conviver com acidentes o soldado explicou: Quando uma pessoa compra um carro com esses equipamentos mostra que se preocupa com segurança e, na maioria das vezes, dirige de forma responsável diminuindo os riscos. Agora entendi, mas depois veio a parte mais engraçada.
— Quer saber mais?
— Quero, pode falar
— Rico não dá muito trabalho prá gente não, Ele não cai de laje, também não cai de muro. Você já viu algum rico fazer gambiarra com escada ou banquinho para trocar lâmpada
, telha quebrada ou subir na laje para consertar a bóia de caixa de água? Pois é nessa situação que acontece a maioria dos acidentes domésticos.
— Tá bem, agora entendi!
Em 2014 uma norma entra em vigor obrigando os fabricantes a equiparem todos os carros nacionais com ABS e airbag. Graças a uma lei, pessoas de diferentes classes sociais terão os mesmos dispositivos de segurança nos carros tomara que nosso amigo bombeiro tenha menos trabalho nas estradas. Quanto ao pessoal que cai de lajes e muros penso que essa realidade que não se muda com leis. O que você acha?

sábado, 28 de janeiro de 2012

Você não gosta de mim, mas sua filha gosta!

O título é uma ironia com os machões de plantão. Levanta a mão quem acha que lugar de mulher é pilotando fogão ou tanque de lavar roupa? Mais uma pergunta: e quem acha que scooter é coisa de mulher. Entre os motociclistas puristas, para não dizer fanáticos, scooter não é moto. Talvez eles tenham até razão, mas vivemos um tempo de mudanças e a mulherada adotou o scooter como opção de transporte. Muitos homens também usam scooter, afinal o veículo é prático, econômico e tem porta objetos debaixo do banco. Lá cabe a capa de chuva, capacete, bolsa, lap-top, bota e até a bola para o sagrado futebol de final de semana.
Se você precisa fazer deslocamentos urbanos existem opções entre 110 a 650 cc a venda no Brasil. Eles têm a missão de facilitar nossa vida e para isso são equipados com câmbio CVT e o único trabalho do piloto é acelerar e frear. Coisa de preguiçoso, mas é muito bom. A mesma mordomia do carro de câmbio automático, sem stress de mudar de marcha apertar embreagem...
Entre os scooter disponíveis no Brasil o mais vendido é o Honda Lead 110. Em 2011 foram comercializadas perto de 21 mil unidades e mais de 40% é destinado ao público feminino. O Lead usa injeção eletrônica de combustível e poder rodar mais de 40 km com um litro de gasolina. Usa roda de 12 polegadas, freios combinados e freio de estacionamento. Seu preço novo é de R$ 5.690 e o barato entre os usados foi de R$ 4.000.
Apesar da pouca potência (atinge no máximo 80 km/h) é necessário ter a Carteira de Habilitação Categoria “A” para pilotá-lo. Na verdade, tirar a Habilitação essa é a parte mais chata para quem pretende usar o scooter e mudar de vida. Cerca de 40% das pessoas que compra uma moto ou scooter querem se livrar do transporte público e congestionamentos. Com tanta versatilidade e argumentos a seu favor, mais uma vez uso a letra da música Jorge Maravilha (de Chico Buarque) para aclamar a versatilidade do scooter “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”. Quer você queira, ou não!

domingo, 22 de janeiro de 2012

A emoção que a razão inveja


Talvez a psiquiatria possa explicar a fascinação de alguns carros e motos sobre as pessoas. Parece uma maldição que persegue e quando se percebe a bobagem está feita, o carro foi comprado, já está na garagem. Surge uma mistura de alegria infantil com o arrependimento por comprar um mico, uma compra irracional.
O caminho é comum a muita gente e foi, em parte, disseminado pela internet com os clubes virtuais, fóruns e blogs dedicados a determinados modelos. Começa assim: o sujeito tem simpatia por determinado carro ou moto, fica olhando na rua e dizendo para si "ainda vou ter um desse". Pronto! Já começou a confusão e a briga entre a razão e a emoção terá vários rounds. Um namoro sem compromisso tem início pela internet nos sites de classificados. Geralmente os carrões importados são fascinantes pelo número de equipamentos, o luxo e a potência do motor. Na frente da tela só temos olhos para as vantagens, acabamento primoroso, controle de tração, sete air-bags... Isso sim que é carro!!!
Começa um jogo entre o cérebro e o coração, razão e emoção. Você sabe que terá um monte de problemas se comprar o "carrão" importado, mas e sensação de ter um desses na garagem para curtir na hora que quiser? Isso não vale nada? Sim, quem já experimentou sabe o quanto é legal realizar um sonho, satisfazer o desejo. Mesmo que seja contra tudo e contra todos (geralmente sua esposa, noiva e namorada - elas têm ciúmes dos nossos carros). Agora vem a fase mais perigosa: você encontra um Fórum de donos do carro que você deseja. BMW; Mercedes; Jaguar; Subaru; Mitsubishi... A lista é enorme tão grande quanto a fascinação dessas marcas. Para ilustrar escolhi um Jaguar X-Tipe 1996 (ja imaginou um desse na sua garagem? Eu já!)
Por fim você se credencia no clube ou fórum e não tem mais volta. Todo mundo acha o carro maravilhoso, nunca dá problema, é só alegria. Na seção de classificados comenta-se que determinado carro pertencia a fulano que cuidava como se fosse um filho. Pronto, você foi fisgado, agora terá abrigo e carinho para realizar seu sonho. Ao contrário da sua mulher, mãe, irmão ou pai que vai falar na sua cara que fez uma bobagem o pessoal do Fórum dará parabéns e que seja bem vindo. Você se sentirá importante, um guerreiro com sua armadura de aço e gasolina, amigo de todo mundo e começará a postar suas experiências (boas ou ruins) com seu novo carro.
Passado algum tempo você cairá na real, perceberá que fez uma besteira e tentará vender o carro, ai descobrirá porque ele foi tão barato ninguém com juízo quer um carro desse. Ou se "casará" com ele e ganhará um hobby delicioso capaz de consumir horas deliciosas na garagem ou na internet convencendo outras pessoas a realizar seus sonhos. Isso aconteceu comigo quando comprei um Ford Taurus GL 95, depois me desfiz do carro, mas até hoje sinto saudades e não me arrependo da loucura. Mas quer um conselho, se não quer se envolver com um desses carrões fique longe dos fóruns ou clubes virtuais.